Culture Is Clutter Alleluya cafe Flowers from Ponsonby Sunday
 

a verdade sobre isso tudo 
é que eu trouxe você até aqui
porque eu só queria ver, 
se você combinava com a mobília. 

achei que o reflexo dos seus olhos ia ficar bem interessante na meia luz da sala de estar. 
queria testar de que tipo de eco seriam feitos os gritos que você daria, reverberando no pé direito alto do meu banheiro.

o vai e vem da sua voz,
na densidade de uma neblina
descendo e subindo
as escadas 
da minha
casa.


é mesmo difícil conviver
com a curiosidade de incluir 
você 
no meu café da manhã,

a hora 
do dia 
em que 
eu
paro
e
penso.  


- por que será que o seu cabelo sempre me lembrou a cor de uma geléia de uva? 



["mobília"
do latim mobilia
significa
coisas que se movem,

tão diferente 
do seu corpo, 
que é tão
estático]
 





Sem título



escrevi 
cem vezes
e apaguei 
mais cem vezes 
um convite
pra te Servir
um café

mas aí eu lembrei:

que você 
odeia café
e mesmo que eu te oferecesse
um chá
não Serviria
pra esquecer

o que a gente deixou 
atrás de janeiro,

que o resgate 
daquilo que 
quase foi
custa caro demais

e que
nem eu,
muito menos 
você,

afim
de 
pagar 
essa 
conta

que custaria
trocar
uma noite
por mil 
e quinhentos dias
em que só existiria
um verdadeiro mar de
nada
de nós.

ainda assim,

eu faria a
confusão
desse chá e

eu passaria 
esse café,

nem que fosse 
pra beber
tudo
Sozinha
no copo 
invisível
das tuas 
mãos.

nem que fosse
pra sentir
o gosto
amargo
do 
não
descer 
fundo 
pela goela
seca
e cair 
na boca
do meu 
estômago,

porque a Sede
que você deixou
quando não quis mais
estar aqui

não morre.



the hazy Beijing




o
vazio
das horas
suspensas

consumiu

tudo o que
fazia muito 
barulho
ao meu redor.

a estranha sensação
de ter 
os ouvidos tampados,
como se alguma coisa muito 
densa
segurasse 
minha orelha
com as mãos. 

eu só 
consigo 
escutar
um vento 
soprando 
por dentro,

a
minha 
própria
respiração.

slaves by day sex watches by night Sem título Sem título Sem título
 



deixa eu contar do sonho que me arremessou noite adentro:

éramos nós
dentro de um quarto

uma pirâmide de palavras
pontiaguda
e cheia
de 
versos

muito mudos
muito intensos
muito pouco pra tudo que a gente queria dizer 

e não disse
e fingiu que não pensou
e tentou mandar pra longe
da gente

pra não
existir
a gente

pra existir só
um quarto
mudo
de luz
azul
sem mais nem
menos
do que
deveríamos
ser

eu lá em cima
você lá embaixo

tão longe
mas 
tão dentro

que

dói. 

. Los Angeles .
 


se a gente se procurar demais
se perde.